Sabe aquelas manhãs de sábado em que a gente acompanhava a vó na feira? Eu ficava fascinado com a banca das "frutas esquisitas". Foi numa dessas que conheci o Kino (ou Kiwano). Olhei para aquela fruta laranja, cheia de espinhos arredondados, e achei que era decoração de centro de mesa.
Minha vó, com aquele sorriso de quem conhece todos os segredos da terra, pegou um na mão e disse: "Não se assuste com a casca, meu filho. É por dentro que o tesouro se esconde".
Um presente que veio de longe
Ela me explicou que, apesar de parecer um alienígena, o Kino é um primo distante do pepino e do melão, vindo lá das terras quentes da África e da Ásia. Ela gostava de ter em casa porque dizia que aquela polpa verde esmeralda era "remédio natural" que Deus deixou pronto.
O que a Vó dizia sobre os benefícios:
Naquela época ela não falava termos difíceis, mas hoje eu entendo o que ela queria dizer com "faz bem pros olhos e pro ânimo":
Imunidade de ferro: Ela dizia que o Kino afastava o resfriado. E não é que ele é lotado de Vitamina C?
Pele de boneca: Rica em Vitamina A, a fruta ajuda a manter a pele saudável, do jeito que a vó gostava.
Coração batendo forte: Com muito magnésio e potássio, ele é um santo remédio para a pressão e para o coração.
Como a gente comia na cozinha dela
O ritual era sempre o mesmo. Ela cortava o Kino ao meio e a gente via aquelas sementinhas mergulhadas numa geleia verde vibrante.
In natura: Comíamos de colher, direto na casca, sentindo aquele gosto que mistura pepino, kiwi e um toque de banana.
O Refresco de Verão: Às vezes, ela batia a polpa com um pouco de água, coava e colocava umas gotinhas de limão. Era o suco mais refrescante daquelas tardes de outubro.
O conselho da Vó: "Na vida, assim como no Kino, não julgue o sabor pela casca. Às vezes o que é mais estranho por fora é o que mais nos nutre por dentro."







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